Missão

A Missão - A vida religiosa, como a Igreja, não vive para si, mas é envio de Deus à humanidade por Ele amada, como um sinal da sua presença e do seu amor cuidadoso e providente.

A missão franciscana hospitaleira é samaritana, porque revela a misericórdia de Deus, presente na vida e missão de Jesus e por Ele apresentada na parábola do Bom Samaritano:

Um homem descia de Jerusalém a Jericó e caiu nas mãos de assaltantes que, após o haverem despojado e espancado, foram-se, deixando-o quase morto.
Por acaso um sacerdote descia pelo mesmo caminho. Ao vê-lo, passou adiante. Igualmente um levita, atravessando esse lugar, viu-o e prosseguiu.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou junto dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho. Colocou-o sobre o seu próprio animal, conduziu-o a uma hospedaria e cuidou dele.
No dia seguinte, tirando dois denários deu-os ao hospedeiro, dizendo: Trata bem dele e o que gastares a mais, pagar-te-ei quando voltar (Lc 10, 29-37).

Depois de contar esta belíssima parábola, Jesus recomenda-nos, como naquele momento recomendou ao doutor da lei:

“Vai, e faz tu também o mesmo.”

Atendendo a este mandato de Jesus, anunciaremos, pela vida e pela missão, um Deus bom, cheio de ternura e misericórdia para com os seus filhos, especialmente os mais pobres, mais desvalidos, marginalizados e sem apoio, os crucificados de todos os tempos. No seguimento do Senhor Jesus, a nossa fundadora, Ir. Maria Clara, descreve assim a nossa missão:

Como Irmãs Hospitaleiras, é nossa missão valer aos que sofrem, com sacrifício próprio; e quando não podemos, é uma mágoa indefinível!

E o fundador, o Padre Raimundo Beirão, em sua sexta carta circular, confirma a missão apontada pela Ir. Maria Clara às nossas primeiras Irmãs, como uma revelação divina:

O Senhor veio à nossa família hospitaleira e disse à Superiora: Escolhi das vossas filhas este fim: Vem, em meu nome, para entre os pobres, explicar-lhes a minha santa lei e como se deve exercer, não só para me darem louvor, mas igualmente para saberem como devem viver neste mundo.
Viver a missão franciscana hospitaleira, hoje, é, antes de tudo, olhar cada pessoa como um irmão, uma irmã, hóspede a amar e acolher, cuidar, aconchegar.
O nosso mundo padece de muitas dores, está coberto de inúmeras chagas:
o individualismo, o isolamento, a luta desenfreada pelo poder e pela acumulação de bens, a desvalorização da pessoa humana, o desenraizamento, a exclusão, o vazio de sentido;
a lógica do utilitarismo, nas relações sociais; a lógica do lucro, nas relações institucionais. A hospitalidade, como missão, é profecia de um outro mundo possível, pelos gestos e práticas que inspira e que poderão ser uma resposta evangélica aos anseios e às sedes da humanidade:

respeito, proximidade, acolhimento, escuta, cuidado, consolação, valorização da vida em todas as situações e circunstâncias, inclusão de todos no mesmo abraço de acolhimento misericordioso.